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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Flipped: O Primeiro Amor


Eu tenho essa tendência a super-estimar filmes água-com-açúcar, que contem histórias de amor bonitinhas e com finais felizes. Mas às vezes é difícil até pra mim.
Flipped é mais um filme com crianças que fala sobre a sociedade americana, sua estrutura familiar e as relações humanas. Tudo isso narrado em primeira(s) pessoa(s) pelos protagonistas, em um estilo de "vamos reconstruir cada sequência de cenas de acordo com o ponto de vista dos personagens principais, preenchendo qualquer momento de silêncio com seus pensamentos". Essa ideia, na primeira cena, parece ser divertida e bem bolada. Causa-se um contraste engraçado entre as personalidades das crianças e as diferenças de personalidade entre meninas e meninos de seus 7 anos de idade. Com o passar do filme as crianças viram adolescentes, o truque narrativo perde a graça e os estereótipos familiares ficam mais e mais forçados a cada diálogo.
Não vale a pena pagar para assisti-lo: seja em dinheiro ou em tempo de download. Agora, quando ele estiver passando em alguma Sessão da Tarde e for primavera e os jardins estiverem floridos e você estiver de bom humor, bom, aí vale a pena dar uma espiadinha. hehe /trocadilho global fail

O FILME
título original: Flipped
diretor: Rob Reiner
ano: 2010
país: EUA
roteiro de: Rob Reiner e Andrew Scheinman

Abutres



O Segredo dos Seus Olhos , o outro filme que eu vi com o Ricardo Darín, foi um daqueles filmes ótimos. Ele foi lindo, instigante e surpreendente. A história era boa, os personagens apaixonantes e a fotografia tremendamente bonita. Por isso eu fiquei com tanta vontade de ver Abutres. Uma comparação ingênua e infeliz da minha parte. São filmes que não tem absolutamente nada a ver um com o outro - e eu já deveria saber disso.
Achei Abutres um filme chato. Comecei a me remexer na cadeira lá pelos 45 minutos. E daí pra frente minha angustia em terminar logo e ir embora só fez aumentar. Aí, quando subiu os créditos, fiquei aliviada e fui direto pra fora da sala, onde ouvi uma outra garota falando algo como: "É, muito filme pra pouca história". E pronto: achei a definição dela perfeita.
Claro que talvez - bem provavelmente, na real - seja falta de sensibilidade e bom gosto da minha pessoa. O filme deve ser muito bom, com uma qualidade técnica e linguística requintada, atuações como pouco se vê hoje em dia e blablabla. Eu achei chato. E demorei séculos pra entender o que exatamente o personagem de Darín fazia. /idiota mode on.
Fica aí uma questão de gosto - que a gente até pode discutir ;)



O FILME
título original: Carancho
diretor: Pavblo Trapero
ano: 2010
país: Argentina, Chile, França, Coréia do Sul
roteiro de: Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre e Pablo Trapero

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

The Edukators

os seus dias de fartura estão contados

Eu confesso que nunca assisti muitos filmes alemães. Pra falar a verdade, dá pra contar nos dedos quantos eu já vi. Nos dedos de uma mão só. O mais curioso - e só percebi isso nesse exato momento - é que dos 4 filmes de origem germânica que eu vi, acho que nenhum dos 4 é menos do que ótimo. Ouso dizer mais: acho que nenhum dos 4 é menos que cinco pipocas.
A Onda,  A Fita Branca e Corra, Lola, Corra. E agora The Edukators.
Dos problemas de distribuição cinematográficas no nosso país todo mundo está ciente (ou não. whatever) . O curioso é que essa questão (de que nenhum filme que não seja americano chegue às nossas telas e prateleiras) tem um lado positivo. Os filmes "estrangeiros" que chegam são sempre muito, muito bons. Como nenhum país no resto do mundo tem cacife pra bancar uma produção nos padrões técnicos de Hollywood, bom, é aquela coisa né "quem não tem cão, caça com gato". É assim que nos deparamos com produções gravadas em vídeo, com uma câmera na mão meio marginal, uma imagem meio bagunçada e histórias que transbordam veracidade, beleza e qualidade - por exemplo, The Edukators.
O filme começa com imagens de uma câmera de segurança. Ou de várias. E com um rock'n'roll digno de respeito /aliás, os alemães têm um gosto musical muito bom, fikdik/. Com uma história mais original que as histórias inglesas e com um ritmo bem mais "digerível" do que os franceses, The Edukators é uma daquelas obras primas importadas de Cannes que precisam ser vistas. E com uma história de amor (seria de amor?). Mas com um "romance" que, dessa vez, passa longe de ser meigo e fofo. Com um romance cru, sem aquela manta de açúcar derretido que a gente encobre todos os romances, pra que seus personagens pareçam um pouco mais perfeitos. Em The Edukators os personagens não são nem cozidos - quanto mais cobertos com calda de caramelo. 
Jan, Jule e Peter são jovens que não se conformaram com o jeito como o mundo funciona - cada um ao seu modo. O trabalho do diretor, Hans Weingartner, e do outro roteirista é brilhante. O perigo aqui era o de deixar os personagens cairem nos velhos estereótipos. O "jovem revoltado e culto", ou a "garota porra-louca que não sabe direito o que faz" ou o "playboy que paga de marginal". Felizmente, isso não acontece. O modo como Jan está presente na tela, alguma coisa no ator que eu não sei identificar, faz com que seu personagem seja crível o tempo todo. Os seus discursos de esquerda se diluem e antes que a gente se dê conta já é contagiado por aquele ar de líder e quase nos tornamos espectadores-pregadores de seus ideais. Peter, que poderia ter virado o personagem "chato", sai de cena na hora certa - e volta na hora mais certa ainda. E Jule, minha preferida (por que será?), consegue ser perfeita em todos os seus defeitos e erros. E uma personagem que, em qualquer outro momento, se tornaria odiada e fuzilada com tomates pela platéia, acaba sendo... compreendida.
Em um século em que os bons filmes raramente são construídos assim por causa de boas histórias, The Edukators é um baú cheio de moedas de ouro encontrado no fundo do quintal. Um quintal que fica do outro lado do oceano, mas que tem sido canteiro de ótimos arbustos. hehe. =)

O FILME
título original: Die fetten Jahre sind vorbei
diretor: Hans Weingartner
ano: 2004
país: Alemanha, Austria
roteiro de: Katharina Held, Hans Weingartner

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

TOP 5 de 2010

Levemente atrasados aqui, admito, mas vamlá. Um breve TOP 5 dos filmes de 2010. Ou não. Compreendam isso mais como uma "rememoração" dos poucos filmes que eu assisti ano passado - mas que, felizmente, foram mais do que em 2009.



os meus melhores 5 filmes vistos no cinema em 2010
1º: A Origem [Inception], de Cristopher Nolan
porque apesar de qualquer probleminha de roteiro ou das más línguas dizendo que é só mais uma cópia de Matrix, eu saí da sala de cinema com apenas um pensamento: esse é o filme mais foda que eu já vi. e essa sensação - mesmo que momentânea - vale mais que qualquer perfeição técnica e artística.

2º: Avatar, de James Cameron
ok, eu concordo: o certo seria ele estar na lista de 2009. mas eu só vi em 2010, anyway. e foi um dos filmes mais mágicos e que mais mexeu comigo - a constar, por motivos pessoais (como tudo nesse blog, pra quem ainda não percebeu).

3º: Toy Story 3, de Lee Unkrich
parte final do filme que eu acredito tenha sido o primeiro que eu vi. de todos. e é lindo demais. não podia ficar de fora.

4º: Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo
foi o filme mais 2009 que eu vi em 2010. :`)

 A Rede Social [The Social Network], de David Fincher
"o filme sobre o facebook". divertido, dinâmico e levemente genial.
obs: não confundir David FINCHER com David LYNCH,ok. 

menção honrosa
- A Fita Branca [Das Weisse Band], de Michael Haneke
lindo e perturbador.

os 5 queridinhos nacionais
- Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo
sim, de novo. hehe.

- Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho
um dos filmes mais belos que eu já vi. se tratando em cinema nacional ou não.

- Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro
filme divertido, encantador, bonito e com adolescentes. adoro :)

- Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte
comédia romântica brasileira divertida, encantadora e bonita. também adoro :)

- Reflexões de um Liquidificador, de André Klotzel
Selton Mello é um liquidificador assassino. sem mais.

menção honrosa
- Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes
não é um filme sobre o qual eu poderia escrever algo. palavras não são suficientes. tem de se ver. e enxergar.

os meus melhores 5 filmes não vistos no cinema em 2010
1º: Na Natureza Selvagem [Into the Wild], de Sean Penn
"I will always be better than before"

2º: Encontro Marcado [Meet Joe Black], de Martin Brest
histórias de amor assim sempre me conquistam, não adianta.

3º: Dogville, de Lars Von Trier
sabe quando um filme te atinge tanto que dói no estômago? pois é.

4º: Coraline e o Mundo Secreto [Coraline], de Henry Selick
acho que é o filme mais lindo que eu vi em 2010.

5º: Elefante [Elephant], de Gus Van Saint
um diretor que eu fiquei muito feliz de ter descoberto esse ano.

as 5 piores enrascadas de 2010
1º: A Sétima Alma [My Soul to Take], de Wes Craven
eu sei que eu prometi pros envolvidos manter isso em sigilo, mas puta que pariu. filme bosta. e, como se não bastasse, eu vi no cinema. inteiro. por mais de uma hora e meia. é. /vergonha.

2º: Em Teu Nome, de Paulo Nascimento
filme ruim é filme ruim. ponto.

3º: Ex-Isto, de Cao Guimarães
foi o dinheiro mais mal gasto ever. eu ganharia muito mais se tivesse gastado todo ele no mc donald's. fato.

4º: A Centopeia Humana [The Human Centipede: First Sequence], de Tom Six
eu não precisava disso na minha vida.

5º: Anticristo [Antichrist], de Lars Von Trier
desculpa, sou intelectualmente inferior, não li Nietzsche e, com certeza, não entendi o filme. mas tenho certeza que, pra quem entendeu, ele deve ser genial e uma verdadeira obra de arte. eu, particularmente, não precisava disso na minha vida [2]

domingo, 2 de janeiro de 2011

Querido John



Dear John foi lançado em abril de 2010 - ou seja, há quase um ano. Vocês sabem aquele tipo de filme que a gente simplesmente se apaixona só de saber o título? De ler a sinopse? Ou de ver o trailer? E então cria todo o tipo de expectativa em cima dele? Pois é, Dear John foi exatamente esse tipo de filme pra mim em abril do ano passado (feliz 2011, folks). Fiquei sabendo a premissa dele no sempre ótimo Miolão e, admito, foi "love at first sight". Simples assim: se tornou meu filme favorito antes mesmo de ter sido lançado. E eu simplesmente ainda não sei por que só fui assisti-lo pela primeira vez hoje, dia 2 de janeiro de 2011, mais de meio ano depois de ter "caído" pela história de Savannah e John.
Foi um daqueles descaminhos que acontecem: o filme entra em cartaz, você está morrendo de vontade de ir ver, acaba bobeando e quando percebe - puf! - já saiu dos cinemas e perdeu-se a vez. Aí saiu em DVD, saiu na internet, mas eu nem vi. Passou. Até que eu comprei o livro do Nicholas Sparks e comecei a ler e terminei de ler menos de cinco dias depois - coisa rara pra mim em 2010.
Falando a verdade, a história de Dear John (o livro) não é, nem de longe, a melhor e mais bem escrita história do universo literário. Ela é simples, com um vocabulário cotidiano e nem um pouco rebuscado, com frases diretas e fáceis - tão fáceis que eu, uma mera turista do inglês, consegui ler e compreender ele muito bem no seu idioma original. A história de Sparks é assim: fácil. E talvez esse seja seu maior encanto. 
Acompanhamos o relato de John Tyree página por página, tudo numa primeira pessoa verdadeira e sem receios de julgar a si mesmo e aos outros personagens. Nos apaixonamos, junto com ele, por uma garota do interior, que vai à igreja nos domingos e não fala palavrão: Savannah Curtis. Sentimos raiva, alegria e tristeza. Então, antes mesmo que tomemos consciência, estamos devorando cada linha, querendo pular detalhes de descrição, chegar logo ao próximo encontro, à próxima ação, à próxima carta. E uma história com pontos de virada previsíveis e personagens que tinha tudo para cair no melodrama água-com-açúcar acaba nos (me) pegando de jeito e antes que dê pra evitar estamos sentados no meio da praia com os olhos cheios de lágrima.
Aliás, esqueci de comentar a premissa  (logo, ninguém deve ter entendido nada do que eu escrevi até esse ponto,masokay). É mais ou menos assim: John é um soldado norte-americano que em um dos seus momentos de "folga" - duas semanas em casa - conhece Savannah, uma garota loira, do interior, que faz trabalho voluntário e estuda para ser médica de crianças com autismo. E eu não vou falar mais do que isso, se não estragaria a história aos pouquinhos. Aqui está outro ponto tão encantador de Dear John: o modo como vamos conhecendo John e Savannah aos pouquinhos, enquanto eles mesmos se conhecem. 
Nicholas Sparks é o cara cujos livros nas prateleiras das livrarias ficam do lado dos livros da Nora Roberts e que já escreveu várias histórias românticas, algumas, inclusive, deram origem a filmes aclamados pelo público desse... "gênero" (na falta de palavra melhor). São eles o bem fraquinho e com péssimas atuações A Walk to Remember  (Um Amor para Recordar) e o que todos dizem maravilhoso, mas que eu vergonhosamente ainda não assisti The Notebook (Diário de uma Paixão).
Então, o que aconteceu foi que eu passei de um filme que eu queria muito, muito mesmo ver, para um livro que eu queria muito ler e, depois de ter lido, para um filme que eu PRECISAVA ver. Só que eu estava na praia. Sem conexão para download. No feriado de ano-novo. Sem vídeo-locadora. E sem loja de DVDs. Aí eu fiz uma coisa horrível e espero que nenhum oficial de justiça acompanhe meu blog: eu, quase-futura-cineasta, comprei um DVD pirata. Que NÃO FUNCIONOU NO DVD. Sério, foi um dos momentos mais frustrantes de 2010. Porque, sabe, eu REALMENTE queria ver aquele filme. Aí eu fui lá reclamar para minha vendedora: "oi, tia. tudo bom? a senhora me vendeu um dvd que não funciona". E troquei por outra cópia. Que... adivinhem? Claro, também não funcionou. Aí eu joguei o disco na lixeira e fui beber espumante. Fim :)
A primeira coisa que fiz hoje quando cheguei em Porto Alegre foi correr pro shopping, esperar a livraria abrir e gastar meu dinheiro comprando o DVD - dessa vez original - do filme. Porque eu já sabia que ia ser um dos meus filmes favoritos, daqueles que eu gostaria de ver de novo e de novo.

Vamos a mais complicada parte de avaliar um filme que é baseado num livro. Eu acho chato tocar nesse assunto, bem como inevitável. Portanto, vamos ser diretos: um livro é um livro, um filme é um filme. Qualquer um que anseia encontrar nas telas exatamente a mesma emoção e "imagens" que encontrou no livro está sendo um babaca. Vamos ao que de fato interessa: Dear John não é um grande filme - do mesmo modo como não é um grande livro - mas é simples, fácil e verdadeiro. E, por ser assim e por contar uma história de amor linda que gira em torno de um dos meus temas prediletos (ver Complexo de Penélope), eu não consegui escapar de me sentir encantada e presa pelo romance de John e Savannah.


a partir daqui spoilers - só recomendo para quem já viu ou já leu.
Lasse e Linden (o diretor e o roteirista) fizeram um trabalho ótimo em termos de adaptação. Eu adoro quando alguém pega a essência de uma história e simplesmente re-escreve ela, de um jeito que caiba aonde tem que caber. Alguns personagens são omitidos do livro de Sparks - por exemplo, a ex-namorada de John, a vizinha, o melhor amigo. Outros são modificados - Tim e seu "filho" Alan, por exemplo. E, voilà, a história já é outra. As motivações, em certos pontos, são outras. Mas a essência se mantém: a questão da paixão e do quão forte ela pode ser, o que é realmente amar alguém, o relacionamento entre pai e filho, a importância da amizade, do companheirismo, do orgulho e da vergonha dentro de um ambiente de trabalho em equipe. Esses são alguns pontos que estão no esqueleto da história. O resto é o recheio e o tempero que, felizmente, mudam na hora de transformar essa história em filme.
Daquilo que faltou - e acredito quase sempre falta na hora de adaptar livros - foi tempo. Acho que é inevitável: como eu mesma sempre repito é fisicamente impossível comprimir 300 páginas em uma hora e meia de filme. Ou em duas horas. Ou em duas horas e meia. Sempre vai faltar tempo. Ou ritmo (o que, no fim das contas, dá na mesma). Faltou tempo pra aprofundar mais as relações paralelas, para entender John e o pai dele, para entender Savannah e Alan e Tim. Mas aí, eu diria, se isso tivesse acontecido no filme, não seria mais aquela história de amor à la Odisseia, e a Savannah Penélope e o John Ulisses se perderiam em meio a conflitos e sentimentos que, bem ou mal, cabem muito melhor nas palavras e nas 300 páginas do que em duas horas dispersas.
-- fim do spoiler --

O filme ficou lindo. Ficou fechado - como eu gosto que os filmes sejam. A trama é circular e tudo contribui - cada cena, cada fala, cada personagem - para contar uma história maior, que gira em harmonia e que, passando por cima de qualquer imperfeição técnica ou de enredo, consegue ser verdadeira e te fazer sentir. O que, visto a escassez cada vez maior de filmes que nos fazem sentir alguma coisa, eu acho extremamente digno. (E para os mais resistentes aos romances, eu tenho um amigo que tem uma regra: ele nunca assiste a um filme que tenha "amor" no título. Bom, enxerguem aí uma oportunidade, folks).


O FILME
título original: Dear John
diretor: Lasse Hallström    
ano: 2010
país: EUA
roteiro de: Jamie Linden
etc: baseado no romance Dear John, de Nicholas Sparks.


O LIVRO
título: Dear John
escritor: Nicholas Sparks
editora: Hachette Book Group
páginas: 335
ano: 2006

domingo, 28 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1

(Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1, de David Yates)



Harry Potter (e aqui me refiro a todos os 7 filmes) não é exatamente aquilo que os críticos cultos e que entendem de cinema chamariam de "um bom filme". Nem os livros, "bons livros". E, como todo mundo sabe, a grande massa humana do universo na maioria das vezes não dá a mínima bola pros críticos cultos e continua gerando pra indústria cinematográfica bilhões de dólares. O que é simplesmente GENIAL.
A história criada por Rowling há mais de dez anos conquistou toda uma geração de novos leitores que, com seus 11 e 12 anos (ou 20, ou 30...) descobriram um mundo novo, cheio de magia, de aventura e de personagens como eles. Ou melhor, como eu. E o que realmente importa aqui não é criticar a qualidade do produto em termos técnicos e de linguagem cinematográfica, mas sim admitir que, poxa, uma história que teve tanto significado na minha pré-adolescência e me fez sentir tanta coisa não pode ser analisada como qualquer outra. Ela está num patamar superior, o patamar da emoção, da minha memória pessoal. Simplesmente por existir ela já se torna melhor que as outras. "It's only natural".

A tarefa de levar pra tela de cinema os livros mágicos de J.K.Rowling passou pelas mãos de vários diretores ao longo dessa década. Chris Columbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell e, por fim, David Yates.
Columbus dirigiu os filmes que, até então, vinham sendo os meus favoritos da série. A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, os primeiros, os mais infantis, os mais fiéis, enfim... foi o início - e, convenhamos, foi um ótimo início. Com O Prisioneiro de Azkaban a história já começou a mudar um pouco de cara. No livro começavam a surgir subtramas um pouco mais complexas. Esse terceiro, meu livro favorito, diga-se de passagem, foi o que eu tive mais expectativa pra ver no cinema. E todo mundo sabe que quando a gente cria muuuita expectativa pra alguma coisa o resultado nunca é suficientemente bom. Hoje, analisando com olhos de quem vê mais do que sente, é certo que o trabalho de Cuarón foi diferente, original e muito bem feito. A partir de O Cálice de Fogo é que começou a perder a graça. O filme demorou muito pra sair, o quinto livro demorou muito pra sair, e quando chegaram até nós eu já não tinha toda aquela vontade. Quer dizer, a gente cresce. Com A Ordem da Fênix e com O Enigma do Príncipe, a mesma situação. A história começava a ficar muito mais densa e impossível de ser comprimida em duas horas e meia de filme. Muita informação, muito detalhe, muita história que ainda não tinha sendo contada.  E, por isso, muita coisa ficou de fora. E o que ficou de dentro ficou embolado, atropelado, num ritmo ruim.
Por isso que, quando fiquei sabendo do lançamento da primeira parte de As Relíquias da Morte eu já não esperava muita coisa. E aqui a recíproca é verdadeira: quando a gente não cria quase nenhuma expectativa, tudo fica um pouco melhor. E a primeira parte do último filme ficou muito, mas muito melhor.
Tudo acontece no tempo certo. Os planos gerais, com algumas exceções, são lindos. As luzes e as cores são sombrias na medida certa. Um roteirista com um pouco mais de "tempo-espaço" pra adaptar uma história, cria em cima dela - e Steve Kloves criou coisas lindas.
O sétimo filme parece misturar todos os ingredientes na medida certa: o humor, o medo, o suspense, a diversão, o romance... tudo está ali, e está na quantidade e no lugar certo. Às vezes, algumas licenças criativas que dão vida aos meus momentos favoritos do filme - como a cena da dança, ou a sequência do conto dos Três Irmãos. Outras vezes, simplesmente a adaptação "litetal" das palavras de Rowling, como a cena do elfo Dobby, na praia.

O que eu mais adoro é esse incrível poder que as histórias carregam, a capacidade de te fazer sentir e se emocionar como se estivesse dentro daquele universo. É clichê, mas né. É lindo do mesmo jeito. E ultimamente tem sido tão difícil ver algo que realmente te emocione, que te faça sorrir naturalmente, que aperte a garganta ou dê o nó na boca do estômago, que quando um filme faz isso ele já merece elogios. Te proporcionar tudo isso e, ainda, te fazer senitr como se você tivesse 12 anos e quisesse mais do que tudo viver dentro daquele universo, sério: não existe, em todo o mundo, estética ou linguagem que possa criticar racionalmente isso.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SALT

de Phillip Noyce

Angelina Jolie, tãolindaquantosempre, vestindo somente uma lingerie de rendinha, toda ensanguentada, jogada em uma sala escura e sendo espancada por norte-coreanos. Essa é a primeira cena de Salt. E, vamlá, sem hipocrisias, só isso já é motivo mais do que suficiente pra ir até a telona. Fantasias sexuais à parte, "Salt" é mais um filme de ação.
Com uma quantidade de produtores quase maior que o elenco -cofcof- entre eles alguns que assinaram filmes como "Transformers", Transformes 2, Transformes: a vingança dos rejeitados, Transformers,osrobôscontraatacam e todo o resto e com o roteirista de "Ultravioleta"(um filme que eu não quero ver), não poderíamos esperar muito mais do que um filme de ação, bem comercial, bem Hollywood séc.XXI. A sinopse: SALT (Jolie, semprelinda) é uma agente da CIA fugindo de muitos outros agentes da CIA e de muitos outros americanos que a acusam de ser uma infiltrada Russa que quer explodir o mundo.
Angelina Jolie faz tudo aquilo que já tinha feito em Tomb Raider, dessa vez usando uma franjinha bem cheerleader. Além disso, ela corre, pula, chuta, atira, mata, usaváriasmetralhadaoras, anda de moto, pula em caminhões em movimento, anda de metrô, corre, pula, atira, mata, explode, chuta, soca, faz uns passinhos de Le Parkour, chuta, soca, imobilizada, atira, explode, explode, chuta, soca... Tudo isso sendo perseguida por centenas de homens engravatados. Ah, e, óbvio, usando várias roupas estilosas e com cara de "oi,eusouumaespiã".
Nada disso, contudo, afetaofato de que ela é maravilhosa. Angelina Jolie ganhou meu coração ano passado com o drama "A Troca" e agora tudo que eu vejo com ela é um pouco mais lindo.
Repetindo pra deixar bem claro: "Salt" é um filme de ação. Quem não gosta desse gênero, nem adianta tentar absorver alguma coisa. Mas pra quem gosta é um prato cheio. Tem tudo aquilo que um ótimo filme de ação precisa ter (além das acrobacias que eu já citei ali em cima). "Salt" tem uma linda protagonista, uma montagem fácil e óbvia, um roteiro superficial e uma trilha sonora com todos os efeitos sonoros estrondosos prontos para acompanharem as explosões de carro - que são muitas. Poderia, confesso, ser meu mais novo filme preferido, desbancando o TOP1 desde 2008 "Transformers". Mas aí entra uma frase que meu grande amigo Rodrigo Peroni falou esses dias, a respeito de outro filme: "ele até seria 3 pipocas, mas aaaai, aquele final!". É, minhagente, aaaaai >.< o final. PQP. Digamos que ele é bem... surpreendente. Digamos assim, SURPREENDENTE DEMAIS. Digamos que Hollywood e toda sua indústria, no desespero de se manter em meio a crise cinematográfica pós-Avatar, não consegue mais sustentar nem ao menos o que poderia vir a ser um bom filme de ação.
E assim, nossos amigos norte-americanos torturam seus espectadores espancando eles e jogando-os para fora da sala de cinema. Ao invés de deixá-los sair comentando sobre as cenas estrondooosas que acabaram de ver, nossa indústria insiste em nos arrancar da frente da telona decepcionados, com aquela sensação de termos sido traídos pelo filme. Não fica nem a vontade de esperar 1 ano por "Salt  2 - A Vingança dos Comunistas". Fica mesmo a vontade de chegar logo em casa e tomar sopa. Uma pena =/

sábado, 5 de junho de 2010

O Céu que Nos Protege

(The Sheltering Sky, de Bernardo Bertolucci)

Depois de levar um xixi coletivo de um dos professores da Faculdade de Cinema, avacalhando conosco, alunos, por não irmos o bastante ao cinema/não vermos filmes/sermos alienados e bobocas, acabei na quinta-feira de noite, feriado, em plena Sala da Redenção, no Campus Central da UFRGS, vendo um filme do italiano aí de cima. O pessoal que gosta um pouquinho mais de cinema que a maioria, tá ligado em quem ele é. Bertolucci fez "Os Sonhadores" (todo cult, com o lindinho do Louis Garrel) e, mais antigamente, o beeeem famoso "O Último Tango em Paris".
Então, "O Céu que Nos Protege" é um teto. hehe xD. É o drama desse casal que viaja pra deserto do Sahara, visita/mora em várias cidadelas miseráveis daquela região e lá enfrentam conflitos no casamento e de ordem pessoal.
Não, digamosassimcomtodasinceridadade, o filme mais instigante do mundo. Mas, por ser do Bertolucci, vale a pena expandir os horizontes e assistir. A história é meio demorada. Em compensação, fazem algumas coisas mucholocas com a fotografia. Algumas cenas, por exemplo, parecem que foram coloridas com celofane, marcando o contraste entre a noite, o deserto e todo o calor daquela região.
Enfim, takealook ;)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um Olhar do Paraíso

(The Lovely Bones, de Peter Jackson)



Visto que eu tô sempre avacalhando com as traduções mal feitas pro português, acho justo comentar quando eu considero alguma coisa decentemente adaptada. Adaptada porque "Um Olhar do Paraíso" não é tradução pra "Lovely Bones": é adaptação. Pra quem não sabe lhufas de inglês, a tradução literal seria algo como "Ossos Amáveis". Aí eu me pergunto: quem, em são consciência, faz um livro e coloca o nome de "Ossos Amáveis"? Ou aí tem alguma reflexão/referência muito mais além da minha capacidade de interpretação, ou a criatura que escreveu  isso (Alice Sebold) simplesmente ignorou o fato do quão feio realmente é. E mais uma salva de palmas pro ótimo "Um Olhar do Paraíso" depois de descobrir que a tradução do título do livro - o filme é adaptação de um livro - é a seguinte: Um Vida Interrompida e com direito a subtítulo! Memórias De Um Anjo Assassinado. Faz sentido, mas né, descobri que não gosto desses slogans apelativos demais.
A sinopse, como já pode meio que ser adivinhada pelos títulos, é sobre uma garotinha de 14 anos, Susie, que é assassinada e vai pro céu, de onde narra a história da sua família e todo o resto. Lembro, então, de uma amiga que assistiu o filme comigo e não gostou muito. Quando eu perguntei o porque, a primeira resposta dela foi: "ah, eu não gostei que a garotinha morre". o_o.    okay. é mais ou menos como dizer que não gostou de Titanic porque o barco afunda. Não, melhor. Como dizer que não gostou de Harry Potter porque ele é um bruxo. Pode se ter todos os motivos pra não gostar de Harry Potter, mas esse simplesmente não é um argumento válido. A garota morre. Eis o filme.
Eu devo ter falado com pelo menos 5 pessoas sobre "Um Olhar do Paraíso" e o que eu percebi é que, aparentemente, só eu gostei realmente do filme. Certo, não é o meu preferido. Não foi tão perfeito quanto eu achei que seria. Não me emocionou tanto como Avatar (oi?poisé). Mas é um filme lindinho e bem "adorável" - pelo menos o quanto uma história sobre uma garota morta por um serial killer permite ser.
Tente ver de outro ângulo: é a história de uma garota vivendo a primeira paixão, com toda uma vida pela frente, com sonhos, com família, com amores. A personagem de Saoirse Ronan é tão cativante. Ela fotografa, é toda sonhadora, toda romântica - confissão: me identifiquei litros com ela. antes da morte, claro. E aí, de repente, ela não é mais. Puf. Tão frágil. A vida dela acaba. E o filme começa.

Conhecemos melhor os outros personagens: o pai desesperado, a mãe fraca e perdida (não gostei de nenhum dos dois, fato), a avó extravagante (Susan Sarandon linda, assistam: "Tudo Acontece em Elizabethtown") e, minha preferida, a irmã de Susie. Lindsey, the sister, é a única ali que permanece sólida e - digamos assim - consciente perante todo o desastre que cai sobre a família quando Susie morre. A base da família, de repente, é uma garota de, oq?, 12 anos? (quase certeza que ela era a irmã mais nova). Ela é quem mantém o equilíbrio e as coisas nos eixos enquanto o pai enlouquece e a mãe "escapa". Ela é quem consegue ir adiante - antes mesmo da própria protagonista conseguir.
Deixando de lado as pessoinhas, temos o "Paraíso" de Peter Jackson. Todas as cenas lá são lindas. O Céu que ele ilustrou é bem o Céu de um 14-years-old-girl. Ele é colorido, ele é divertido, ele é cheio daquele mundo de fantasia e romance que ela não pôde viver. Confesso que achei ele mais lindo nas imagens que eu vi pré-filme (o que só serviu de lembrete pra que eu não visse mais nada de "Alice" by Tim Burton antes do lançamento), mas mesmo na tela grande ficou sensacional. Como todas as adaptações de livros que eu já vi (talvez, com exceção de "Ensaio Sobre a Cegueira, que eu tmb não li) ficaram algumas lacunas abertas. Alguns personagens que não tiveram o tempo suficiente pra si. E foi exatamente isso que faltou: tempo. A garota gótica (oi?) fica simplesmente jogada de lado o filme todo. Nas primeiras cenas, é feito todo um auê em cima da conexão dela com Susie que não é retomado nem explorado decentemente em momento algum. Resumem, muito mal, em duas frases uma explicação idiota e deu. Ponto pra Lista dos Contras aqui.
Já uma sacada que eu achei perfeita - e aí imagino ser algo bom do livro/história e não do filme em si - é a decisão que a Susie toma naquele momento de tensão. Ela escolhe beijar o garoto. Simplesmente porque pra ela, naquele momento, entre tentar se vingar do seu assassino e ficar com a paixão pré-adolescente, a segunda opção é mais importante. Garotas de 14 anos, sim. Outro ponto a ser mencionado, creio eu, é que não há explicações maiores a respeito do Paraíso e de como ele funciona. A história é centrada nos personagens, em como eles encaram os acontecimentos, Susie, principalmente. Logo, quem vai assistir com a expectativa de ter toda uma revelação e um novo ponto de vista sobre vida após a morte e essas coisas, é melhor mudar de ideia. A intenção não é dar um manual de instruções desse outro universo, e isso nem é ruim.
Pra terminar, tem o final. E, de novo, é um final 14 anos. Estando nós no séc. XXI, eu diria, inclusive, que é um final 8 anos à là "101 Dálmatas". Ponto negativo aqui: novamente, pro livro, creio eu. Juro que eu ficaria puta se, depois de ler um livro inteiro, terminasse daquele jeito. Tipo, que eu sou completamente a favor de adaptações livres pro cinema de obras literárias. "The Time Traveler's Wife" tem o final diferente - o do filme, aliás, mil vezes melhor. E, confesso que eu não ficaria nem um pouco triste se decidissem matar o Edward em "Amanhecer" pra que a Bella e o Jacob vivessem felizes pra sempre ♥. Já em "Um Olhar do Paraíso" encaramos durante duas horas um Stanley Tucci impecável na pele de um assassino nojento, ficamos com ódio e com asco dele, queremos que ele seja escalpelado, empalado, torturado, arrancadas as orelhas e as unhas e queimado vivo, quando o filme termina daquele jeito ridículo.

"Um Olhar do Paraíso" emociona - pelo menos, emocionou as duas senhoras sentadas ao meu lado que soluçavam de tanto chorar enquanto o filme se aproximava do fim - ainda mais quem já é mais experiente e tem filhos e essas coisas. Ou quem gosta de crianças, o que não é o meu caso (eu gosto de árvores, por isso, tanta emoção com "Avatar"). E é, apesar de todos os defeitos e das milhões de coisas que eu teria feito melhor se eu fosse a roteirista *prepotência mode on*, um filme lindo e ótimo e que deve ser visto no cinema - imagino que o Céu deve perder metade da emoção quando reduzido a 40 polegadas ou seja lá o tamanho que fazem as TVs hoje em dia -. Fica de reflexão, perante todo o desgosto com o final do filme, a análise das características da nossa sociedade e do que consideramos imperdoável. Já sei que é quase unânime o ódio em relação aos nazistas e que ninguém ficaria triste em ver milhões deles carbonizados numa tela gigante de cinema *lembre mental pra Lucy aqui: ótima ideia para um filme*. Imagino ser também unânime e da mesma proporção o ódio em relação a pedófilos. Não há espaço pra compaixão ou entendimento nesse quesito. Se fala em "justiça". E o final do filme não dá pros espectadores essa justiça. Daí a raiva que deveria ser sentido pelo assassino pode acabar sendo direcionada em parte pro filme. E pro Peter Jackson. E pra todo o resto.

Obs 1: eu sei que eu vou ser apedrejada por escrever isso mas, falando em Peter Jackson, "Um Olhar do Paraíso" é muito, muito melhor e muito mais assistível que toda a trilogia chata e lenta do Senhor dos Anéis. adoroprovocar.mematem.
Obs 2: eu ia escrever algo importante aqui, mas acabei de esquecer. depois quando eu lembrar - se eu lembrar - edito essa joça.

O Amor nos Tempos do Cólera

(Love in the Time of Cholera, de Mike Newell)


Acho que antes de falar sobre "O Amor nos Tempos do Cólera" eu devo falar sobre como foi intensa a minha paixão pelo filme antes mesmo de tê-lo assistido (típico da Lucy). Eu vi o trailer. E o trailer é lindo. Ele é todo romântico, e aquele casal que se ama e não pode ficar junto, e as cartas, e o desespero dela, e a certeza e a paixão dele, e a música e a voz perfeitas da Shakira ao fundo. Lindo, lindo, lindo. Um dos trailers mais lindos que eu já vi. Lembro de tê-lo visto na TV e no cinema e no youtube e de ter feito o download da música e escutá-la overandover. Foi um daqueles filmes que eu já estava pronta pra ir ver no cinema sem nem ter lançado e que eu tinha certeza de que iria ser meu filme favorito por muito tempo. Aí, tive a ideia de ler o livro do Gabriel Garcia Marquez antes de assistir ao filme. E o filme foi lançado. E acho que eu comecei a estudar pras provas. E um amigo meu me fez desistir da ideia de ler o livro "pra dar uma chance ao filme". E foram ver o filme sem mim. E aí saiu de cartaz. Simples assim. Deu, no final, que eu não li livro nenhum e também não vi o filme. Só sei que quando saiu em DVD toda aquela euforia de quando vi o trailer pela primeira vez já tinha passado. Acabei lembrando desse filme ontem e resolvi locar pra ver no que dava.
Aqui percebo que não tê-lo assistido quando deu toda aquela vontade foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Acho que não tem quase nada pior em termos de cinema do que criar uma expectativa MUITO grande em relação a um filme e se decepcionar. Só sei que, se não tivesse havido esse hiato de um ano, provavelmente "Amor nos Tempos do Cólera" teria sido A decepção da minha vida. Como houve, o que aconteceu foi que assisti a um filme completamente diferente do que eu esperava e que não me cativou nem um pouquinho.
Não é que ele seja ruim. Ele só não é aquilo que eu gostaria que fosse.
A história de amor dos 2 minutos de trailer não pode ser a mesma daquela primeira meia hora de filme. Eu não gostei de nenhum dos personagens. Nenhum. Florentino é fraco, romântico demais (a ponto de ser enjoativo), ele beira a loucura e, mais de uma vez, perde completamente os traços masculinos - que já lhe são poucos. Fermina, entre uma cena a outra, passa de heroína romântica faço-tudo-pelo-nosso-amor a mulher desiludida com a vida que não quer nem olhar na cara do ex-amado - esse fato, em si, não é um problema. O problema é que, em momento algum, o filme nos explica como ou porque isso acontece. Só joga na tela essa nova personagem conturbada e chata e espera que nós, telespectadores comportados, aceitemos isso na boa. Tipoassim, NOT. Com os coadjuvantes sobram papéis pouco marcantes, pouco emocionantes e, por várias vezes, ridículos. Ridículo, eu digo, no melhor estilo "Quinto dos Infernos" (sim, a da Globo). Por aí já dá pra ter uma ideia.
Tentando ser um pouquinho justa, tem uma personagem - e uma só - interpretada por Indhira Serrano(qm?) que parece realmente ter alguma consistência. Ela aparece durante menos de um minuto e não fala absolutamente nada, mas em um gesto, um olhar, consegue transparecer toda a emoção que o filme não conseguiu. Quase chorei nessa cena. :')
Ah, e tem a sempre ótima Fernanda Montenegro - interpretando um papel que lá pelas tantas beira o risível, ok - mas que, mesmo assim, continua impecável. Pagaumpauenormepraela. Quando ela encosta a cabeça na cama e reza pedindo pra que a dor do filho passe, genteeem, muito bom.
Muito bom é também a maquiagem que fizeram no Javier Bardem velhote. MARA! E deu de muitos bons. u.u' já fui boazinha demais.
Então, de novo, não é que o filme seja ruim. Ele não é ruim. Ele só é diferente do que eu gostaria. Diferente demais. Não senti, em momento algum, toda aquela paixão, todo aquele amor que eu senti vendo o trailer. A música linda da Shakira que salvaria o filme, não toca durante tempo o suficiente pra preencher todo o vazio sentimental das cenas. Minha dica: fiquem com o video clip da música Hay Amores e com o trailer. Fiquem, também, com a primeira imagem do filme: que é além de surpreendente, linda *e que, aliás, eu não tenho aqui. então apreciem-na quando vocês o assistirem hehe*



Pra quem quiser baixar a trilha sonora com as músicas da Shakira e do Antonio Pinto (?): Parte 1 e Parte 2. Senha para descompactar: Honey (com o H maiúsculo mesmo)

Onde os Fracos Não Têm Vez

(No Country For Old Men, de Ethan e Joel Coen)

[só pra constar que tá cheio, cheeeio de spoilers e coisas que as pessoas que não viram não deveriam ler. Então vejam e depois voltem aqui.]

Acho que eu estou começando a me acostumar com os filmes quietos. Assim, vai demorar até que um deles seja tipo o-filme-mais-perfeito-do-mundo e, confesso, eu ainda tenho que fazer um esforço imenso pra não dispersar a atenção entre uma cena muito tensa e outra. Tanto faz. "No Country For Old Man" é, tipo assim, muito quieto. Eu não assistiria ele depois das 22hs, visto a facilidade que meu ser possui em dormir durante qualquer filme, e uma xícara de café bem forte ajuda. Ah, isso não é um defeito, ok? É só uma característica.
Outra característica é que eu vi em DVD. E o DVD estava arranhado e eu tive que parar três vezes durante o filme pra limpar e fazer macumba. Ou seja: tôputa. Deveriam inventar logo filmes em pen-drives ou algo assim. Nada contra o download de filmes pela internet, mas eu não suporto assistir nada no computador e não tenho saco pra ficar desvendando os mistérios da conexão entre o notebook e a TV. E a terceira observação é: quando vocês forem assistir algum filme (esse, em especial) escolham bem a companhia. Por favor. Não assistam com alguém que vai ficar fazendo comentários e perguntas a cada cinco minutos. fikdik. - isso, claro, pra quem é chatoquenemeu e não gosta de luz nem de som enquanto está vendo algum filme. Tanto faz. Fim da sessão terapia.

O filme. Certo. "Onde os Fracos Não Têm Vez" ganhou o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Javier Barden) e Melhor Roteiro Adaptado em 2008.
Os diretores são Ethan e Joel Coen (também conhecidos como "os irmãos Coen" hãhã). Ultimamente, eles andam bem famosinhos. Fizeram, em 2008, a comédia(q?) "Queime Depois de Ler", aquela com o Brad Pitt e esse ano concorrem ao Oscar com "A Serious Man", sem nenhum ator que eu e toda minha ignorância conheçamos, nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme. Eu, particularmente, não entendo toda a fascinação e todo o auê que fazem em cima dos dois. Ok, os caras são geniais e "No Country For Old Man" é um baita filme, com diálogos e cenas memoráveis - depois eu falo mais. Mas "Queime Depois de Ler" (o outro filme que eu vi deles) eu fui ao cinema assistir, com toda uma expectativa, e achei tão chatinho. Certo que eu não entendi nada do filme,masné. E também, poxa, ganhou o Oscar de Melhor Filme. Ok. Pode até ser o Melhor Filme, mas eu ficaria 10 vezes com "Atonement" ou com "Juno" antes de ficar com o filme dos Coen. Claro, que a Direção dos dois é impecável. Todas as cenas ficaram perfeitas, eu não conseguiria achar nenhum defeito, em nenhuma delas. Os diálogos também são memoráveis. Acho que todo mundo quer realmente viu o filme vai pensar duas vezes antes de jogar cara ou coroa.

Vou falar de dois momentos, agora, então SPOILER. Primeiro, aquela cena do início. FODA DE MAIS. Só a hora que ele chega por trás do policial e estrangula ele com as algemas já seria o suficiente pro Javier Barden ganhar o Oscar (de Ator Coadjuvante? WTF? ele não é tipo, o personagem principal?). Eaí, como se não bastasse ter sido tão, tão afudê, quando ele vai embora ainda vemos as marcas no chão feitas pelas botas do xerife. Todos os detalhes estão ali, só pra que a gente fique ainda mais impressionado com o talento dos bróthers. E depois, a cena da descarga. Aqui, vou fazer um link aos irmãos do Pipocas, que me contaram essa parte muito antes de eu assistir. Chigurgh (Javier, o assassino) entra numa birosca procurando pelo cara que ele quer matar, e a senhora ali diz que não pode dizer onde ele trabalha. E então, quem vê o filme sabe que ele vai matá-la. Simplesmente porque ela o incomoda e ele não teria nenhum motivo pra deixá-la viva. Aí, alguém puxa a descarga. E ele vai embora. Simples assim, a tênue linha que separa alguém vivo de alguém morto: uma descarga. Se a criatura tivesse usado o banheiro por mais 30 segundos, provavelmente teríamos uma velha morta. O que ficou pra mim é que, com o barulho da descarga ele passou a ter um motivo pra deixá-la viva: seria incômodo demais ter que matá-la e matar a pessoa que estivesse no banheiro. Ou seja, a mulher ficou viva por inércia do assassino. E viva as aulas de física.
Como eu já mencionei: os diálogos. Como a cena em que os xerifes chegam no trailer e um deles tem aquela dedução perfeita, como em um episódio de Agente 86 ou algo assim. É engraçado. Verdadeiramente engraçado. E assim temos vários outros comentários durante todo o filme, que assim como algumas situações, te fazem rir. E então, lá pelas tantas, o espectador percebe que está assistindo a um serial killer matando milhares de pessoas sem nenhum escrúpulo, numa verdadeira carnificina, e que ele próprio está rindo daquilo. Sendo que as vítimas nem são nazistas. Sádico.
Por último, eu acho válido mencionar aquelas três histórias dentro da história. Quando o xerfie conta pra esposa sobre o homem que matava os bois; a conversa daquele velho na cadeira de rodas com o xerife; e o sonho que o xerife conta pra sua mulher. É que os personagens começam a falar, e a câmera dá aquele close na cabeçona deles e a gente fica ali, lendo as legendas e, sem nem ao menos perceber, imaginando as imagens descritas pelos personagens. Como se, sem mais nem menos, nossa mente fosse levada para outro lugar bem longe do filme e do assassino, e ficássemos imaginando um senhor e sua criação de gado. Admirável.

Como eu disse, ainda prefiro "Atonement" e "Juno". Mas "Onde os Fracos Não Têm Vez" é um filme com o qual vale a pena gastar duas horas, uma xícara de café - e pros mais hiperativos que nem eu - um pouquinho de boa vontade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Antes que o Mundo Acabe

de Ana Luiza Azevedo


"Antes que o mundo acabe" é uma prova de que livros podem ser bem traduzidos pro cinema. Ok, tentei fazer um trocadilho pensando em cinema como linguagem cinematográfica e o verbo traduzir, mas isso não exemplifica bem o que a diretora Ana Luiza Azevedo - e toda a galera da equipe, incluindo o Jorge Furtado no roteiro - fez com a obra de Marcelo Carneiro da Cunha. Eles não só traduziram um livro pro cinema, mas deram vida à essência da história. Eaí a gente tem umas mudanças aqui, outras lá, um personagem que cresce, outro que ganha um humor diferente, piadinhas bem portoalegrenses e, como justlikehoney, um filme todo perfeitinho.
Os personagens são magníficos e cada imagem, cada "foto" do filme é mais linda que a anterior. Ah, é. O filme é sobre fotografia. E sobre cartas, família, a expansão do universo e o fim do mundo. Não o fim do mundo à la "2012", pelamordedeus, mas sim as diferenças culturais - ou melhor, as semelhanças culturais no mundo globalizado. E pasmem, a história consegue ser interessante, divertida, criativa e sorridente de um jeito tão encantador que nem dá pra imaginar que é um filme sobre o capitalismo e a sociedade contemporânea. Ele consegue mostrar a magia de cada situação como somente uma criança de 10 anos vê.
Aliás, meu melhor amigo sempre fala das "narrações" nos filmes (os V.O.) e em como eles devem fazer parte da história, não somente resolver um problema de comunicação entre as imagens e o espectador. E a narração dessa história, essa garota encantadora falando pra gente sobre entropia e Tailândia é de arrancar sorrisos.
"Antes que o mundo acabe" inteiro é de arrancar sorrisos. É também de pôr um pouquinho de sufoco no peito. Mas os sorrisos são lindos.



Não deixem de ler o livro homônimo (com o mesmo nome,blz) do Marcelo Carneiro - principalmente se vc tiver uns 10, 12 anos. Ele é legal, tem fotos legais e dá pra ler do início ao fim numa sentada. 

domingo, 28 de março de 2010

O Sequestro do Metrô 123

(The Taking of Pelham 123, de Tony Scott)


Então, minha gente. Todo mundo sabe que eu tenho um gosto chinelão pra filmes. Contudo, eu tento sempre fazer jus àqueles que tem bom gosto e apreciam as verdadeiras obras de arte. Agora, sei lá, "O Sequestro do Metrô 123" é ruim demais,porra. Sabe quando o filme termina e tu fica TRISTE por ter assistido algo tão ruinzinho? :/ poizé. fiquei triste, meo. aliás, estou deprimida até agora. xD
O filme foi dirigido por Tony Scott (que fez "Chamas da Vingança", "Domino" e "Déjà Vu") e ele é, tipo assim, o cara que faz os filmes que eu E minha mãe gostamos. Acreditem, é difícil achar um filme que tanto eu (a garota das comédias românticas bobinhas e alternativas) quanto mamis (que só assiste filmes policiais, de suspense ou com o George Clooney) gostemos. "Déjà Vu" foi um dos melhores thrillers (???) que eu vi nos últimos tempos, e eu tinha ficado superduper empolgada com o filme do Metrô e aí... pééén. RUIM,RUIM,RUIM. Deveria ter uma sirene grudada na capa do DVD que berrasse isso quando alguém tocasse nele.
As cenas do início ficaram bonitas (oi?), tipo: o casal adolescente ouvindo música total alienados enquanto o metrô passa rapidão por trás deles; a mistura de câmera lenta com o movimento dos trens e talz. Pôw, eu curti. E só também.
A história é sobre um cara (John Travolta) e outros caras que sequestram um metrô -duh. Aí, o Denzel Washington é, por acaso do destino, o cara que está controlando aquela plataforma e consequentemente fica em contato com o assassino por um radiozinho. Aí tem toda a história previsível, os diálogos chatos, o Denzel interpretando o mesmo personagem que ele sempre interpreta - o malandrão que salva NY -, o John Travolta mais gordo/feio/chato do que nunca, um suspense mastigado e vomitado na tela de quem assiste pra garantir que todos entendam tudo direitinho e não restem dúvidas no final, e - TÃN,TÃN - um final completamente ridículo e, porra, nada a ver sabe.
No fimdascontas, acontece o seguinte: a vida é curta e efêmera. Devemos aproveitar cada precioso minuto dela. Tipoque, não vale a pena gastar 2 horas da nossa vida preciosa, cara e finita assistindo a coisas porcarias como "O Sequestro do Metrô...". Tomem café. Leiam um livro.
By the way, tô pensando agora se o tempo que eu gastei falando mal desse filme também foi um desperdício ou se foi uma boa ação que vai fazer com que milhares de pessoas economizem 110 minutos de suas vidas e sejam felizes pra sempre. Nhé.

terça-feira, 23 de março de 2010

Educação

(An Education, de Lone Scherfig)

Tem filme que eu já sei que eu vou gostar, mesmo antes de tê-los visto. "Educação" já era um deles. Eaí, quando eu vou com essa certeza - que é diferente de expectativa - tipoassim, o troço tem que ser muito ruim pra avacalhar com tudo. "Educação" tem tudo aquilo que eu mais gosto nos filmes: romance, atrizes bonitas, diálogos inteligentes, momentos engraçados, romance; Carey Mulligan é Jenny (voilà, meu nome preferido pra escrever romancezinhos), uma das melhores alunas da sua classe, em plenos anos 60. O plano é que ela vá para Oxford. Mas aí ela conhece David, um cara mais velho, simpático e amante da diversão. Paremos por aqui.
Minha primeira surpresa: eu podia JURAR que David era o professor ._.' nolosé, andei confundindo sinopses,só pode.
Então, minha segunda surpresa: percebo, no meio do filme, que me falaram o Sr.Spoiler, dias antes. (Não lembro quem, mas assim que eu descobrir MATO.)
Eaí eu já fiquei meio putatriste, porque, poxa, eu tava muito pilhada pra ver esse filme e de repente, aos 15 minutos, eu percebo que, de algum modo, já sei o final. fiqueidecara. Agora, deixando de lado as reclamações Lucy, "Educação" é um ÓTIMO filme. Pra quem gosta de bons romances, acho que esse ficou na medida perfeita. Não é meloso demais, não é triste demais, não é cutie demais. Perfeito - tudo na medida certa.



Eaí, eu notei alguma coisa diferente na história. Os personagens. Eles são ótimos. Mais do que isso: eles realmente existem no filme. Diferente do que às vezes acontece, em que se tem uma ótima história e vários personagens flutuando dentro dela, em "Educação" se tem bons personagens tecendo a história plano a plano, cena a cena. Ok, a Jenny e o Dennis são o casal chave. Mas a família de Jenny, os amigos de Denis, as amigas, o garoto, a professora, a diretora do colégio... todos eles constituem o filme tão plenamente, as atitudes, os gestos transformam meros coadjuvantes em peças indispensáveis pra história.
E então, se à primeira vista eu me apaixonei por "Educação" por causa da história de amor bonitinha do casal protagonista, ao fim do filme, a vida da professora e do outro casal já tinham me conquistado. "Educação" fala de um jeito muito sublime sobre a fragilidade (de tudo): das relações pessoais, dos sonhos, da família, do amor, da juventude. [bytheway, assunto bem conveniente pra esse momento].
Ah, e as músicas são lindas. A imagem do filme é linda. E, vamlá, alguns momentos são TÃO LINDOS. Confesso que se eu tivesse um TOP 10 de Melhores Primeiros Encontros o de "An Education" já estaria na minha lista. A Jenny linda, no meio da tempestade, carregando o celo e caminhando ao lado do homem-estranho-no-carro-bonito. muitomágico.

"Educação" concorreu ao Oscar 2010 por: Melhor Atriz (Carey Mulligan), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme, mánonganhonada.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Coraline e o Mundo Secreto

(Coraline, de Henry Selick)

"Coraline" é mágico. Acho que essa é a palavra mais próxima daquilo que se sente quando se vê o filme, embora ela não corresponda nem a um décimo da real sensação. É lindo, tudo no filme é lindo. Coraline é linda, os cenários são inacreditáveis, magníficos, são... são... PRECISAM ser vistos. É como se desde a primeira cena seus olhos ficassem presos à tela, como quando a gente é criancinha e fica todo encantado com um filme. "Coraline" é assim: faz você se sentir meio criancinha.
Baseado na obra de Neil Gaiman - o cara louco das histórias em quadrinhos - e do mesmo diretor de "O Estranho Mundo de Jack", "Coraline" é meio que uma história de terror para crianças. É exatamente o tipo de filme que eu teria medo de assistir nos meus sete anos. Admito, eu gostaria muito de ter ido ver no cinema. E, agora que eu descobri a tecnologia em Blue-Ray, quero ainda mais ver de novo.
O filme ele é perfeito em todos os aspectos. A história é totalmente criativa e inovadora (apesar de alguns elementos serem identificados em outros filmes do gênero de fantasia). Muita coisa me lembrou, também, Tim Burton (né), embora os personagens de "Coraline" sejam bem mais... er... bem menos cadavéricos (com exceções).

Então, a história: Coraline é uma garota de cabelo azul (dublada pela Dakota Fanning ♥) que se muda com os pais para uma casa grande e velha. Lá, ela descobre uma passagem secreta para um outro mundo. E aí começam algumas comparações com "O Labirinto do Fauno", "A Viagem de Chihiro", etc. Mas não tem nada a ver e nem adianta querer comparar pq é diferente e deu u.u'
Além da história e dos personagens serem ÓTIMOS, além do filme ter momentos muito engraçados - equilibrados com outros mais sombrios e até, de certo modo, tristonhos - e completando a produção, temos que a trilha sonora é fantástica e, nunca é demais ressaltar, todo o universo, todos os cenários criados para o filme são simplesmente inacreditáveis. Acho que é a coisa mais linda que eu vi no cinema - arrisco dizer, tão lindo quanto o universo de Avatar (meuxodó) [o que só me deixa ainda mais deprimida por não ter visto "Coraline" no cinema]. A diferença, no filme, entre o universo real e o outro universo é genial - ok, ela é meio óbvia, mas mesmo assim, é genial. O outro jardim, então, não tem palavras pra descrever como é lindo. E aí, quando você pára no meio do filme, e no meio de todo o deslumbramento, pra pensar um pouquinho e se dá conta de que é uma animação em stop motion - ou seja, tudo, TUDO foi feito de massinha de modelar (ou algum material parecido) e fotografado. Dá vontade de chorar,ok. Cada movimento de cada bonequinho, cada galho de árvore foi desenhado e projetado, cada detalhe - e "Coraline" tem MUITOS DETALHES MESMOS -, o movimento da sobrancelha da garota, tudo feito com os bonequinhos e fotografado. Desabafo, aqui, o desespero e a tristeza e o desespero que tomaram conta do meu ser quando eu parei pra pensar sobre isso. Pronto.

Voltando ao filme: vejam. Vejam,vejam,vejam! Várias vezes. Dêem pros seus irmãos menores vêem - e tirem eles da frente daquelas porcarias que passam na TV. "Coraline" é uma animação - dã - mas é TÃO MAIS do que isso. É arte. É magia. Desculpem a falta de um vocabulário mais variado pra convencê-los de que o filme é realmente bom, mas é que ele é.
O único pecado - e aqui eu vou falar uma coisa que eu quase nunca falo - é que "Coraline" é curto demais. Eu queria pelo menos uma hora a mais daquele universo estonteante na minha frente. As cenas de ação, por assim dizer, acabaram sendo muito rápidas, não deu pra desenvolver elas como eu acho que deveriam ter sido desenvolvidas. Isso não chega a atrapalhar todo o resto da perfeição, mas parece que pula e aumenta muito o ritmo do filme, não dando tempo pros espectadores mais lentos (eu) apreciarem por completo esse final.

Aí, por fim, dando uma de conservadora (e vocês bem sabem o quanto eu amo computadores e tecnologias e 3Ds e mundos irreais), "Coraline" é cheio de uma arte, de um capricho, de um jeitomágicodeser e eu duvido que pudesse ser feito no computador. Tem alguma coisa de humano no filme, seilá, talvez seja a paixão de toda aquela gente que passou dois anos mexendo bonequinhos e tirando fotos. Acho que é isso. "Coraline" é mágico, cheio de paixão e completamente apaixonante.

sábado, 13 de março de 2010

Toy Story 2

(Toy Story 2, de John Lasseter)

Fui ver no cinema em 3D. Assim, uma das melhores experiências cinematográficas. Não tanto pelo 3D, que é bem imperceptível, confesso. Mas porque... poxa. Toy Story é o filme da minha infância. E assisti-lo assim, 10 anos depois, foi simplesmente INCRÍVEL. Não é à toa que a Pixar tem todo esse respeito. O desenho é tão... genial.
Eu confirmei aquilo que já sabia de "Toy Story" (não por ter assistido com 7 anos de idade, mas enfim, por saber): é uma ótima animação. Tem os bonecos (dã) e todo aquele lance dos brinquedos que ganham vida quando não tem nenhum ser humano por perto. E o lance da animação computadorizada continua sendo tão... novo (mesmo depois de todas as animações fuckerizadas e "Avatar"). Ah, sei lá, nostalgia mór.
E eu percebi algo novo: gentem, Toy Story é MUITO ENGRAÇADO. Ok, que eu sou meio retardada e que tinha só eu e um tiozinho de 50 anos dando gargalhadas no cinema, mas eu realmente achei engraçado. O que é o boneco do Imperador Zurg a là Darth Vader? E o dinossauro Rex? Ri mols (q-). Ah, e tem as ceninhas que passam durante os créditos - com os erros de gravação dos bonecos, as cenas "cortadas". Simplesmente genial e perfeito, uma oportunidade imperdível.





Saí do cinema muito alegre - adoro ir ver filme e me divertir - e com uma sensação terrível de pena por não ter ido assistir "Toy Story" no cinema, em cartaz durante a semana anterior. Agora, além disso, tô sentindo também um pouquinho de medo pelo que pode ser o terceiro da série, que vai ser lançado num futuro próximo.
Pixar, por favor, não nos decepcione.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Entre Irmãos

(Brothers, de Jim Sheridan)

Ir ao cinema e assistir a um filme ruim é muito, muito chato e eu odeio. Agora, pior do que isso, é ir ao cinema, assistir a um filme que tinha todo um esquema pra ser bom e consegue ferrar com tudo. Isso é "Entre Irmãos".
A história não é a coisa mais original do mundo, vamlá, acho que até na novela da Globo tem esse tipo de coisa: Sam (Tobey Maguire) é casado com Grace (a linda Natalie Portman). Aí o Sam vai pra guerra, "morre" e o irmão pródigo-que-todo-mundo-odeia Tommy (Jake Gyllenhaal, maislindodoquenunca♥) aproxima-se da cunhada viúva e das duas sobrinhas preenchendo o espaço deixado pelo irmão supostamente morto.

Eu achei todos eles ótimos. As garotinhas que fazem as filhas do casal estão perfeitas, a Natalie Portman interpreta uma mulher "normal" (ou seja, dessa vez, sem perucas cor de rosa ou assassinos mascarados para caracterizá-la) e mesmo assim não deixa margens para dúvidas ou besteirinhas quanto à sua capacidade, e Tobey Maguire faz cenas ótimas, dando realismo, tensão, ódio e todas as coisas necessárias à trajetória do Capitão Sam, passando pela transformação no melhor estilo Dr. Jekyll and Mr. Hyde contemporâneo.
Ok, é mais um filme "de guerra". Ok, é com o Homem-Aranha. Ok, é sobre o triângulo amoroso mais clichê ever (e, vamlá, meio cômico inclusive, levando em consideração que os dois atores namoraram a loirinha preferida Kirsten Dunst), mas, poxa, eu ADOOORO filmes assim: dramas clichês, com cenas legais e tensas, com uma história de amor com personagens bonitos, e blablabla.
- você comeu a minha mulher? - dessa vez não.

E o filme ele vem muito bem até o começo do final  - muito bem meeesmo. Aí, de repente, todo o conflito anunciado pelo pôster e pelo trailer do tipo "tu comeu minha esposa, seu FDP????" é substituído (!) pelo problema psiquiátrico (q-) do Capitão Sam: o efeito da guerra na vida dos soldados. Sério, sou só eu? Porque EU NÃO AGUENTO MAIS ver filmes assim. Porra. Eu vô tri feliz pro cinema achando que vou ver o Jake-lindinho dando uns pega na Natalie Portman e eu tenho que ver o feio do Homem-Aranha pirando porque foi pro Afeganistão matar árabes????? WTF!!!! Esses americanos fdp deveriam tirar aquele bando de gente metida do Oriente Médio, nem que seja pra que se voltem a fazer roteiros sobre outros assuntos.
Resumindo: o "triângulo amoroso" não se concretiza, deixando aquela sensação de 'hm, tá faltando alguma coisa nesse filme'; e, óbvio, o final é uma droga. Se ainda poderia existir a possibilidade de salvar o que restou da história pós-retorno-do-Afeganistão *SPOILEEEEEEEER* essa possibilidade deixa de existir quando o Capitão Sam abaixa a arma e é preso e levado pra um hospício (?) e a Natalie Portman passa o resto da vida indo visitá-lo lá. Ah, e o Tommy (o irmão bonito)... tipo, desaparece.
Aí podem me dizer que foi um final criativo, fugiu do lugar comum, exemplo do amor verdadeiro que a mocinha sentia pelo marido... não quero nem saber. Às favas tudo isso. Deveria ter ficado em casa vendo Globonews.
Jake Gyllenhaal brincando com as criancinhas *-* e não me aparece um marido assim,voteconta

Só me resta, agora, aguardar ansiosamente por "Educação", rezando, claro, pra que ele não me decepcione =(